Pastor bom é pastor que visita: Será? (Parte 1)

Eu resolvi postar o texto do pastor Wilson Porte porque achei muito esclarecedor a exposição que ele fez sobre o ministério pastoral. Além do mais em nossos dias é muito recorrente o entendimento errado tanto da parte do pastor, quanto da parte da igreja. Espero que o texto a baixo possa ajudar você leitor a entender um pouco mais sobre o assunto.

O que é para você um pastor bom? Seria o pastor que visita? Aquele que tem “cheiro de ovelha”? Muita gente diz que “pastor bom é pastor que visita”, pastor que conhece suas ovelhas, que tem lã em suas roupas. Mas, seria isso mesmo? Creio que a confusão começa pela má compreensão desse verso:

Lc 15.3–7 – Então, lhes propôs Jesus esta parábola: Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. 

Quem é o pastor aí?
Há muita gente que usa esta parábola para mostrar aos pastores o seu dever de visitar. O problema é que esta parábola não fala dos pastores das igrejas cristãs. A parábola fala de Jesus encontrando os perdidos, e não dos pastores que devem visitar os membros afastados de sua igreja.

A parábola fala de como há alegria no céu “quando um pecador se arrepende”. Fala de salvação. E Jesus é o “bom pastor” que veio até nós para nos resgatar. Usar esta parábola para pastores é uma ofensa a Jesus e um mérito alto demais para um simples pastor.

Ou seja, a parábola não tem nada a ver com pastores visitando suas ovelhas afastadas.

Problema de interpretação
O problema é que muitas pessoas foram “viciadas” em um modelo de “pastoreio” importado do sul dos Estados Unidos por pastores que chegaram no Brasil no início do século XX.

Tais homens valorizavam mais as visitações, o “cafézinho” no final da tarde, o almoço com os irmãos, o aniversário de casamento, de nascimento, de batismo, que o estudo da Palavra de Deus.

É por isso que muitos acreditam que “pastor bom é pastor que visita”. Pastores devem visitar os membros de sua igreja? A resposta pode ser sim ou não. Explico.

A essência do ministério pastoral
Se quem pergunta tem por motivação saber se é da essência do ministério pastoral visitar os membros de sua congregação, a resposta é NÃO. A essência do ministério pastoral é orar e pregar a Palavra de Deus. É isso que Pedro e Paulo entendiam (At 6.1-4; 1Tm 3.2; Tt 1.7-9).

Mas, se a motivação de quem pergunta é saber se o pastor, como um cristão, deve visitar, a resposta é SIM! O pastor visita não porque é pastor, mas porque é um cristão.

No dia em que um pastor deixar de pastorear, ele deve continuar a visitar seus irmãos, pois a visitação não está ligada à função pastoral, mas ao modo como os cristãos vivem.

Qual a função principal de um pastor?
Uma igreja que deixa só ao pastor a responsabilidade de visitar é uma igreja doente. Além de sobrecarregar seu pastor, impedirá que ele tenha tempo para preparar a pregação da Palavra (At 6.4), que ele tenha tempo de orar por si e pela igreja, e que ele tenha tempo com sua família.

Ele não desempenhará bem o seu papel e não ficará mais do que 5 ou 10 anos em uma mesma igreja. Igrejas matam pastores e a si mesmas quando cobram deles o que não é sua principal função.

 

Fonte: Wilson Porte

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